| Na BBC - Londres |

Quantas mil coisas gostaria de ter tempo para escrever aqui no blog! Mas uma menção à finale de Doctor Who não pode faltar, até porque, já estamos no contexto especial dos 50 anos de Doctor Who!
River: - Doctor, please listen to me
at least hear me.
How are you even doing that?
I'm not really here.
Doctor: - You are always here, to me.
And I always listen
and I can always see you.
River: - Then why didn't you speak to me?
Doctor: - I thought it would hurt too much.
River: - I believe I could have coped!
Doctor: - No. I thought it would hurt ME.
And I was right.
Doctor: - Since nobody else in this room can
see you, God knows how that looked.
There is a time to live
and a time to sleep.
You are an echo, River.
Like Clara.
Like all of us, in the end.
My fault, I know,
but you should've faded by now.
River: - It's hard to leave
when you haven't said goodbye.
Doctor: - Then tell me, because
I don't know - how do I say it?
River: - There's only one way
I would accept.
If you ever loved me...
..say it like you're going
to come back.
Doctor: - Well, then...
See you around,
Professor River Song.
River: - Till the next time, Doctor.
Doctor: - Don't wait up.
River: - Oh, there's one more thing.
Doctor: - Isn't there always?
(...)
River: - Spoilers!
Goodbye, sweetie.
Eu não esperava que o sétimo episódio da nova sétima temporada de Doctor Who - que veio como belíssimo presente de aniversário para mim - fosse ser tão bonito. Um dos melhores episódios já feitos, sem dúvidas, para iniciar a especial comemoração de 50 anos da série. Uma série que trata de tempo e espaço; universo e humanidade; amor e perda; dor e alegria; mistérios e descobertas. Sobretudo, conta histórias de como cada um é singelo ao mundo na sua própria maneira - perante uma existência comum ou extraordinária, todos vivemos dilemas, temos diversas aspirações e compartilhamos vários dramas. E isso tudo transcende nós mesmos.
"All the elements in your body were forged many, many millions of years ago in the heart of a faraway star. It exploded and died. That explosion scattered those elements across the destinations of deep space. After so, so many millions of years, these elements came together to form new stars and new planets and on, and on it went. The elements came together and burst apart forming shoes and ships and sealing wax and cabbages and kings. Until, eventually, they came together to make you. You are unique in the universe."Carl Sagan would be proud! =)
Porque a vida, individual ou coletiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Compõe-se de peripécias. É, rigorosamente falando, drama. (...) Nós não nos demos a vida, mas esta nos é dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por quê; mas do facto de que ela nos é dada resulta que temos de fazê-la nós mesmos, cada um a sua. (...) A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.
Ortega y Gasset, in "A Rebelião das Massas" e "O Livro das Missões"
E, no final das contas, resta a pergunta existencial: Quem somos e o que queremos ser? Faz tempo que gostaria de escrever um post intitulado "Qui suis-je", mas nada melhor do que Doctor - Who - para trabalhar essa reflexão! :)
Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano. E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.
Clarice Lispector, in 'A Paixão Segundo G.H'

Though the man was indeed sad,
He was no lad.
Knowing truth and knowing lies,
He resides in the skies.
Mysteries, fantasies, and dreams,
He keeps a careful eye on what we gleam. (...)
One word is all she says.
Pond.
Oh Doctor, Oh Doctor, can you not stay?
Nay, I cannot stay, I have things to do and planets to save!
Perhaps... You could come with me?
Clara, Clara up into the skies.
Enter the magic blue box,
Remove his many locks,
That wrap around his hearts.
But some must die for momorirs to last,
Only the Doctor knows of the secret in the past.
Died once, died twice,
Clara Oswin Oswald, who are you? (...)
Only time will tell how this story ends.

Wheeping Angels. O que uma Whovian não vê quando está dentro de um dos cinco maiores templos neogóticos do mundo, a Catedral da Sé! :P
O verdadeiro amor não se expressa em palavras. O amor se celebra na convivência, no sorriso, na saudade*. E assim, todos os dias são muito especiais!
Abaixo, uma representação (descontraída :) de amor para Whovians:
Ano passado já havia escrito "Especial de Natal: Doctor Who", mas esse ano, como o Natal está chegando e Doctor Who também, aproveito para mostrar algumas coisas especiais de Doctor Who que adoraria ter!

Our lives are important, at least to us.:))
As we see, so we learn.
Our destiny is in the stars. Let's go and search for!
Doctor Who

Já é de conhecimento de todos o quanto sou uma Whovian e quanto adoro angariar novos fãs para Doctor Who - afinal, é uma série brilhante! Todo episódio nos encanta! A imagem acima representa a afeição que temos com todos os doutores.
Para manter nosso encanto, a cada Natal temos algo ainda mais especial: um episódio para nos deixar felizes entre o lapso de tempo das temporadas. Este, em específico, feito por Steven Moffat, além de suprir nossa curiosidade, nos deixa ainda mais empolgados com os mistérios que estão por vir. E, no âmago do espírito natalino, nos mostra que o amor é o que verdadeiramente pode transformar os tempos.

Em Doctor Who há uma interessante teoria sobre os universos paralelos onde cada pequeno detalhe de escolhas podem mudar o rumo da sua vida, criando uma nova dimensão de realidade.
... the premise is if you always do the right thing, there is no way to go wrong.
Não é tangível avaliar se fizemos as escolhas certas ou se estamos no rumo adequado, mas para mim, sigo o parâmetro da paz interior e da satisfação. Penso que essa premissa é até uma maneira de ficarmos mais tranquilos quanto ao futuro, mesmo sabendo que existem inúmeras circunstâncias imprevisíveis (sejam elas para o melhor ou não) que podem aparecer no caminho.
Acredito que o rumo de vida mais puro é seguir as paixões que nos trazem inspiração à prosperiedade. E a minha, é a paixão da realização, de sempre se apaixonar por várias coisas na vida para satisfazer minhas curiosidades e meu apreço pela cultura de sempre saber mais dentre o infinito de conhecimento...
Sabe como é: "A ignorância é a mãe da curiosidade, mas a curiosidade é a mãe da sabedoria". Interpreto, então, que é a curiosidade é algo um tanto complexo, por ser um potencial ambíguo que depende de nossas diretrizes para tomar um foco.
E é assim que entendo os rumos de vida: Deve-se seguir com dedicação e empenho, um esforço indispensável para alcançar a realização, entretanto, dentre um leque de milhares de paixões, infelizmente é necessário haver foco para conseguir se atingir cada uma com propriedade.
Um dia me disseram um frase muito marcante que até hoje fico refletindo: "Você quer ser de tudo um pouco e não ser suficiente em nada, ou ser boa em apenas uma coisa?"
É a expressão do atual pensamento de especialização, mas aí penso: "Não teria mesmo como ser boa em várias coisas, segundo uma máxima grega de conhecimento holístico?"
A resposta que por enquanto tenho é de que toda experiência é válida - conhecimento é algo sempre a se agregar para ser melhor utilizado e aplicado, mesmo que seja apenas para um âmbito (toda influência é construtiva). E ainda sobre esse quesito, penso que se deve haver um âmbito de foco - mas não necessariamente ele deve ser restrito, creio que ele possa abranger uma amplitude considerável de desenvolvimento do saber.
Entretanto, nem tudo pode ser concomitante - é preciso de definições certeiras, sejam elas diretas ou indiretas. Dessa maneira, o mais razoável é prezar pelo que melhor atende o próprio bem-estar e anseios em prol da realização maior. Assim, certas tentativas ficam reservadas ao âmbito da experiência construtiva e o mais prudente é resignar-se a essa difícil escolha.
Doctor Who também é arte! (além das belas reflexões ;)
Hold my hand, Doctor.
Try to see what I see.
We are so lucky we are still alive
to see this beautiful world.
Look at the sky.
It's not dark and black
and without character.
The black is in fact deep blue.
And over there, lighter blue.
And blowing through the
blueness and the blackness,
the wind swirling through
the air and then,
shining, burning, bursting
through - the stars!
Can you see how they
roar their light?
Everywhere we look,
the complex magic of nature
blazes before our eyes.
![]() |
| Starry Night |

Doctor Who é uma série brilhante
Como indicar por onde começar em uma série lendária? É quase injusto tentar escolher alguns poucos episódios como favoritos porque, em Doctor Who, os episódios se completam, são interligados, e a cada vez que assisto vejo quão bem pensados eles são!Mas eu diria que as pessoas que querem começar assistir devem começar pelas histórias paralelas ao enredo, ou seja, um episódio dito 'aleatório' onde você não precisa ter um background para se envolver com a série.
Doctor Who é lindo porque mexe com toda a complexidade do tempo-espaço. Dessa forma, consegue ser uma série histórica e futurística ao mesmo tempo. Os episódios mostram hipóteses de um passado, onde tentam preencher aquela lacuna histórica ou aquela curiosidade que todos nós temos com a possibilidade mais interessante.






from Ponder About
Interpreto essa charge como uma representação da importância do ato de questionar, de pensar e de refletir. A dúvida, a incerteza e o mistério são os grandes catalizadores para isso, e portanto, não devem ser menosprezados. O dito 'menosprezar' nesse caso significa esquecer do fato de que nada é uma verdade completa ou total e de que nossas visões de realidade são parciais - como já diria Weber, a apreensão do mundo é infinita.
Por meio da constante indagação e da vontade de sempre querer descobrir mais é que ocorre o progresso. Assisti um episódio de Doctor Who - The Long Game - que mostra um determinado momento em que a sociedade é plenamente controlada/manipulada pela mídia e pelos seus meios de comunicação tecnológicos de tal forma que os indivíduos param de questionar a realidade e consequentemente, param de se desenvolver.
Também relaciono essa situação com uma imagem muito presente no meu âmbito acadêmico:
A área do Direito é repleta de perguntas e inúmeras possíveis respostas - ou a negação destas. Vejo que muitos justamente caem no caso que foi exposto na charge e se conformam com uma resposta restrita, seguem e pensam somente de acordo com a mesma e isso leva ao ponto que chamo de 'radicalismo/extremismo teórico'. Entretanto, é necessário valorizar a integração dos elementos e perceber que nem tudo precisa ser respondido ou coeso. É a especial falta desta resposta que nos intriga a 'desbravar'. Associo a dúvida como um elemento indispensável ao Direito para sua pretensão de correção e aperfeiçoamento.
Vale ressaltar também que os paradigmas, as lacunas, os debates e as polêmicas têm sua essencial função de suscitar a reflexão. E refletir é algo fundamental para a análise e o senso crítico.
Considero que o Direito é uma ótima representação da complexidade da essência humana em si, especialmente com suas contradições e mistérios não tão bem resolvidos. Por isso creio que a cada instante é preciso do catalizador e do impulso para crescer em prol do melhor.

Aparece um aparelho, chamado de 'communicator', o qual seria um espelho da sua atividade mental, especialmente nos momentos finais da vida de alguém, em que o indivíduo estaria 'morrendo' mas sua mente ainda não estaria totalmente 'desconectada' do mundo ou de seu corpo. Ou seja, essa conexão que ainda existiria seria transferida por meio desse aparelho, no qual se pode deixar mensagens póstumas, digamos assim. Longas ou curtas, a intenção é a oportunidade da pessoa ter suas 'últimas palavras'.
Uma das reflexões que ocorre no episódio são os aspectos positivos e negativos desse aparato tecnológico, mas, particularmente, sempre pensei sobre "que aflição deve ser morrer e ter um monte de coisas para falar, haha". Na verdade, odeio essa sensação de não ter falado algo que deveria ter incluído. E por isso acredito que cada pequena despedida deve ser o mais completa possível, porque nunca se sabe se poderemos completá-la depois, não no contexto fúnebre, mas sim nos pormenores da vida mesmo...
As follows, there is a great reflection that summarizes the whole idea of this TV show, from the episode "Forest Of The Dead":
When you run with the Doctor, it feels like it will never end. But however hard you try, you can't run for ever. Everybody knows that everybody dies, and nobody knows it like The Doctor. But I do think that all the skies of all the worlds might just turn dark, if he ever, for one moment accepts it.
Everybody knows that everybody dies. But not every day. Not today. 'Some days are special. 'Some days are so, so blessed. 'Some days, nobody dies at all. 'Now and then, every once in a very long while, 'every day in a million days, 'when the wind stands fair, and The Doctor comes to call... Everybody lives.






